cassete

e, por mim, o mundo tinha acabado no instante em que me perdi entre as tuas mãos, por trás dos teus olhos, dentro de ti. por mim tínhamos ficado para sempre submersos no mar, tínhamo-nos quedado sufocando eternamente entre beijos e água nos pulmões, até que nos apetecesse respirar. e nunca nos ia apetecer respirar porque dentro de nós ninguém precisa de oxigénio e era aí que nós estávamos. sozinhos dentro de nós, dentro do mar. as ondas empurravam-nos de um lado para o outro e já nos sangravam as costas de tanto bater em rochas. mas não queríamos saber. íamos ser cadáveres vivos para sempre. íamos ser nada para sempre.
só que o mundo não quis acabar quando eu quis que acabasse e afinal o mar era só o cuspo gelado de um chuveiro. e as ondas? teus braços.

Carolina
blog? São ensaios cegos, lúcidos, físicos & metafísicos. É uma mente deteriorada e uma mão cansada. Ou incansável. Relógios parados. E sangue? (...) Mas sobretudo perda de tempo. E possivelmente mais qualquer coisa. Não sei. Incerteza também.

yeah, thanks

© 2010, Luna