Até já

Olho-nos quase sempre enojada, a morrer mais um pouco todos os dias. Vem de dentro p'ra fora, corrói-nos uns pedaços de carne por semana e nós fingimos que não sabemos de nada. Ou que não queremos saber. Mas a verdade é que o tempo passa e que no fundo nós somos o tempo. O nosso tempo e o tempo dos outros. A verdade é que só com tempo/nosco é que aprendemos a aceitar - ou a fingir que aceitamos - que pouco mais somos do que carcaças com bom aspecto. Antes disso, por dentro bem podemos estar podres, que não se vê e quem não vê é como quem não sabe. Também ninguém quer saber. Mas há sempre um dia em que o tempo acaba e há sempre um dia em que ninguém se lembra de ter começado. Acho que é nesse dia que começamos a medir os passos que vamos dando e a ter cuidado para que não nos saiam grandes demais, porque um 'até sempre' dizemos nós, de boca cheia, sentados à mesa de jantar, o que não sabemos é se seremos capazes de o ouvir quando for a nossa vez. O que não sabemos é se seremos capazes de o ouvir de bocas alheias, quando quem já não É nos era tanto.
(E eu já tenho saudades, tantas saudades)


Carolina

blog? São ensaios cegos, lúcidos, físicos & metafísicos. É uma mente deteriorada e uma mão cansada. Ou incansável. Relógios parados. E sangue? (...) Mas sobretudo perda de tempo. E possivelmente mais qualquer coisa. Não sei. Incerteza também.

yeah, thanks

© 2010, Luna