salta-se de vinte para catorze, com um trinta e um no meio

Pára de pensar em mim, dá-me arrepios. Pára de mentir, pára de te mentir. Pára de não querer saber. Pára de fingir que queres saber. Pára de fazer coisas contrariado. Pára de te deixar manipular. Pára de ser quem não és. Pára de culpar a vida por tudo o que acontece. Pára de dizer que vais fazer coisas que não fazes. Pára de planear. Pára de te matar. Pára com isso, pára com tudo.
Não penses em mim, pensa em nós e pensa em ti. E pensa no resto. Pensa que nunca estiveste bem, porque nunca se está bem. Primeiro é o dinheiro, depois é a família, depois é o amor e depois é o dinheiro outra vez. Não te mates tanta vez! O que é o amor? O amor é aquilo que tu quiseres que o amor seja, não é nada que te faça falta. É algo que tu escolhes criar, é algo que tu escolhes desacreditar. O que é o dinheiro? É uma forma de prostituição. Mas putas fazem falta, a sociedade precisa de putas. Bem vindo a bordo? Não queria que te fosses.
Não queria que te mentisses nem queria que te perdesses. Escreve uma canção sobre isso, sobre o quão mal te sentes. Toca guitarra até ser de manhã e teres os dedos a sangrar. Vê o nascer e o pôr-do-sol no mesmo dia e enrola um cigarro de meia em meia hora. Eu não sei se há um Mundo lá fora, mas há um aqui, mesmo por baixo de ti. Ninguém quer tatuagens, agora coleccionam-se cicatrizes e fazem-se competições para ver quem tem a mais profunda. "Olha, esta quase que me cegou"/"Esta quase que me matou". Vamos gritar, vamos gritar coisas nossas em vez de gritarmos coisas dos outros. Vamos dizer o que nós somos e não dizer aquilo que ouvimos os outros dizer que são. Vamos fazer a nossa música e vamos deixar de ser marionetas. Já nos matámos tantas vezes, que agora é hora de aproveitar. Outra vez.
Toda a gente consegue ver o futuro, toda a gente consegue ler a palma da mão. Eu não. Quantas linhas tens na palma da tua mão? A mim falta-me uma, não sei se já te tinha dito.
Que vamos morrer sozinhos, já é sabido e certo, agora o que é incerto, é a definição de se estar só. E eu não sei se isto é coisa que se diga, mas sei que isso não é coisa que se faça. Não é coisa que te devas fazer a ti mesmo.
Entra na banheira, tenta afogar-te na banheira. Vais ver que não consegues, porque mais forte do que a ciência, não és.
Um tempo. Um tempo é relativo mas aqui tem sempre o mesmo significado: caralho & um livro deixado p'ra trás.
Não te vás já embora.

Post Scriptum: Landslide

Luna
blog? São ensaios cegos, lúcidos, físicos & metafísicos. É uma mente deteriorada e uma mão cansada. Ou incansável. Relógios parados. E sangue? (...) Mas sobretudo perda de tempo. E possivelmente mais qualquer coisa. Não sei. Incerteza também.

yeah, thanks

© 2010, Luna