revolução mental

Ambos foram despejar o lixo. Encontraram-se por acaso, ignoraram-se por antipatia. Quando as pessoas são idênticas, agem de forma semelhante. De qualquer forma, que sentido faz cumprimentar um completo desconhecido? Ele abriu o contentor do lixo, fez o que tinha a fazer e, antipaticamente, voltou a baixar a grande tampa verde. Virou costas. "Abre a tampa do lixo novamente, acho que deixaste cair o relógio lá dentro!", gritou ela, porque ele já ia longe. Voltou o homem atrás para procurar o dito relógio e no momento em que abriu a tampa do contentor, ela enfiou lá para dentro o seu enorme saco preto. "Idiota, tens o relógio no pulso". Virou costas. "Hey, acho que consigo ouvir um bebé chorar aqui dentro!", disse ele, agora preocupado. "Eu sei! Não parava de chorar lá em cima e eu quero dormir!". Ela ganhou três horas de sono, ele ganhou um filho. E viveram felizes para sempre.


Carolina
blog? São ensaios cegos, lúcidos, físicos & metafísicos. É uma mente deteriorada e uma mão cansada. Ou incansável. Relógios parados. E sangue? (...) Mas sobretudo perda de tempo. E possivelmente mais qualquer coisa. Não sei. Incerteza também.

yeah, thanks

© 2010, Luna