pequeno parêntesis XVII

ela perguntou-me se te podia matar esta noite. eu disse-lhe que não. que não porque a casa é minha e se o chão ficasse sujo de sangue quem teria que limpar seria eu; e todos sabemos o quão difícil é tirar manchas sangue de um chão de madeira velho, como este. ficou desiludida. perdeu aquele brilho que traz/trazia sempre no olhar, sabes? e eu achei que a faria feliz se lhe espetasse o punhal que trazia na mão, no peito. e espetei. e tinha razão. ficou mesmo feliz, hã? os olhos encheram-se-lhe de lágrimas miudinhas. brilharam! e agora tenho o chão todo sujo na mesma. que chatice! só espero que o gato não venha. só espero que o gato não venha para me patinhar isto tudo.

Carolina
blog? São ensaios cegos, lúcidos, físicos & metafísicos. É uma mente deteriorada e uma mão cansada. Ou incansável. Relógios parados. E sangue? (...) Mas sobretudo perda de tempo. E possivelmente mais qualquer coisa. Não sei. Incerteza também.

yeah, thanks

© 2010, Luna