pequeno parêntesis XVI

o hábito faz a indiferença & a indiferença faz o bem estar. e é por isso que te digo que de tanto repetires o mesmo, hás-de roubar o significado às palavras. e palavras sem significado são palavras vazias, extremamente leves, extremamente fáceis de voar ao sabor do vento. e de desaparecer. da mesma forma que me desapareceu o anel do dedo no outro dia. escorregou, caiu ao chão acidentalmente & dei-lhe um chuto involuntário - por esta hora está abandonado numa valeta qualquer ou talvez seja já propriedade de uma pega. existem pegas na cidade? que belas aves que são, não concordas? mas como eu dizia, estás a tornar-te a ti mesmo num hábito e é provável que qualquer dia o vento te leve. também é provável que eu te agarre um pé quando começares a levitar, mas sabes bem que antes de ti me amo a mim, e que quando começar a sentir os músculos dos braços a ceder, a pele a rebentar e os ossos a estalar, te largarei. pelo meu bem-estar. mas sabes? és (quase) tudo. és (quase) um buraco negro, mas és (quase) tudo. e eu adoro isso, juro que adoro. e é por isso que só espero que o Vento Norte não se chateie connosco nos próximos dias. agora apaga a luz, meu anjo. bons sonhos. tic-tac, tic-tac

Carolina
blog? São ensaios cegos, lúcidos, físicos & metafísicos. É uma mente deteriorada e uma mão cansada. Ou incansável. Relógios parados. E sangue? (...) Mas sobretudo perda de tempo. E possivelmente mais qualquer coisa. Não sei. Incerteza também.

yeah, thanks

© 2010, Luna