sobre as pessoas que caminham ao som da música que ouvem

Alguém acabou de perder a voz, mas antes a voz do que a vida, não é?
Sabes, há pouco cruzei-me com ele na ponte do bairro. Ele fingiu que não me viu e eu fingi que não o reconheci, porque o indivíduo vinha alterado. Via-se pelo semblante carregado e pelo punhal que trazia na mão que havia algo que não estava bem. A juntar ao cenário temos umas mãos salpicadas de castanho - sangue seco, suponho - e um olhar mais distante do que devia. Eu tremi dos pés à cabeça, que a escuridão não era pouca e o amor à vida demasiado. E claro que podia dar em louca - que até sou - e correr desalmadamente em seu encontro, mas estou sem voz e sem muitas coisas, não quis perder outra mais.

Carolina
blog? São ensaios cegos, lúcidos, físicos & metafísicos. É uma mente deteriorada e uma mão cansada. Ou incansável. Relógios parados. E sangue? (...) Mas sobretudo perda de tempo. E possivelmente mais qualquer coisa. Não sei. Incerteza também.

yeah, thanks

© 2010, Luna