pequeno parêntesis XI

ontem à noite estava nostálgica & agi como de todas as vezes em que estou nostálgica: abri as caixas onde guardo os álbuns de fotografias e entretive-me durante umas horas a olhar para caras de pessoas que provavelmente nunca vi (nem verei) na vida. mais outras tantas horas a olhar para caras que me são familiares. apercebi-me de que já fui verdadeiramente feia (tive duas fases horrorosas, aliás) & já fui linda de morte (mesmo, mesmo). apercebi-me de que já lá vão mais de onze anos desde a morte do meu avô e que preservo tudo o que vivi com ele sob a forma de memórias demasiado nítidas. também me apercebi de que o meu avô era um homem muito jeitoso. decidi roubar uma fotografia a sépia em que ele aparece a sorrir. juntamente, roubei vinte & sete (já viste que número bonito?) polaroids, dezanove das quais tiradas por mim quando tinha cinco anos. não resisti - tudo demasiado bonito. e ainda um postal datado de mil novecentos e treze, escrito numa caligrafia em tudo idêntica à minha. diz-me, meu amor, sou uma má pessoa, ou apenas (mais) uma comum mortal?


Carolina
blog? São ensaios cegos, lúcidos, físicos & metafísicos. É uma mente deteriorada e uma mão cansada. Ou incansável. Relógios parados. E sangue? (...) Mas sobretudo perda de tempo. E possivelmente mais qualquer coisa. Não sei. Incerteza também.

yeah, thanks

© 2010, Luna