pequeno parêntesis XXVIII

quando temos as coisas não conseguimos recordar que as já não tivemos e quando as não temos, não conseguimos recordar que as já tivemos. assim, estamos sempre insatisfeitos porque a nossa memória se assemelha à de um ignóbil peixe de aquário e o nosso grau de exigência a um grande oito deitado. e não damos valor a nada, "não há valor em nada". já matei tantas pessoas, que não sei como é que a minha pele ainda não se tingiu de encarnado. já morreu tanto às minhas mãos, que não sei como é que a vida ainda não é p'ra mim um conceito utópico. por cá ficamos e por aí ficais, desaprendendo de valorizar as coisas.


Carolina
blog? São ensaios cegos, lúcidos, físicos & metafísicos. É uma mente deteriorada e uma mão cansada. Ou incansável. Relógios parados. E sangue? (...) Mas sobretudo perda de tempo. E possivelmente mais qualquer coisa. Não sei. Incerteza também.

yeah, thanks

© 2010, Luna