pequeno parêntesis

queres saber o que penso? sempre foste mimado, sempre precisaste de te sentir incluído nalguma coisa e só o conseguiste depois de te isolares e de recaírem sobre ti todas as atenções. talvez até te tenha custado o tempo que passaste sozinho, mas agora tens tudo o que queres, não é assim? agora até já escreves um pouco, até já partilhas opiniões sem grande fundamento e ofereces pensamentos vazios. agora até já ages como toda a gente. gostas do teu novo tu? eu não. agora até te confundes no meio da multidão. agora és mais uma cara bonita. mas e o conteúdo, pergunto-te eu? agora até já te dás ao luxo de magoar quem se importou realmente contigo e quem te apoiou desde sempre. mais, dás-te ao luxo de ignorar a dor que inflinges a essas pessoas. agora que tens um monte de novos sacos vazios à tua volta (pois não esperes que chame pessoas a isso), nem sequer precisas de te lembrar que em tempos houve gente de verdadeiro valor do teu lado. pois se já cagaste nos teus princípios, que interesso eu ou os outros como eu? agora já nem te sentes mal com nada, perdeste essa capacidade e acredita que isso é mau. agora já nem discutes a vida depois da morte nem outros assuntos estúpidos mas interessantes; para quê, a multidão não o faz! já nem vais ao fundo das coisas, já nem observas o que te rodeia, já nem sabes nada. repito, tu não sabes nada. agora já nem de me ouvir és capaz. perdeste a capacidade de entender o que te digo. agora pensas que és superior, que és melhor e maior. mas não és e não esperes que fique aqui para ouvir as tuas baboseiras, os teus monólogos pré-fabricados. não esperes sequer que volte a olhar-te nos olhos pois se o fizesse, arriscares-te-ias a que te cuspisse na cara. agora até já me metes nojo, vê lá bem! agora que até já aprendeste falar como toda a gente, agora que até já tens tabus!, agoras que te perdeste eu espero honestamente que te afogues nisso. espero honestamente que abras os olhos tarde de mais. espero que morras, entendes? detesto-te. e agora vai, vai e não voltes mais por favor. vai antes que me agarre ás tuas costas e te arranque cada centímetro de pele com os dentes.

Carolina
blog? São ensaios cegos, lúcidos, físicos & metafísicos. É uma mente deteriorada e uma mão cansada. Ou incansável. Relógios parados. E sangue? (...) Mas sobretudo perda de tempo. E possivelmente mais qualquer coisa. Não sei. Incerteza também.

yeah, thanks

© 2010, Luna